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“Minha missão é dessexualizar o nu”

Um dos fotógrafos de fotos sensuais mais conhecidos do Brasil, Cesar Acosta, fala sobre como seus ensaios ajudam as mulheres e como ele lida com o feedback do público

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Cheguei na locação do ensaio bem tranquila, depois fiquei nervosa, tímida (logo eu que amo fotos, mas sei lá, essa coisa da aceitação do nosso corpo é foda). A cada foto que o Cesar fazia, a cada pose, ele me mostrava. Algumas eu fazia cara de feliz, outras uma cara de “to estranha”, outras “nossa, sou eu?”.

A locação: uma lindeza. Uma casa em um condomínio no Jardim Botânico (DF), fácil acesso, o Cesar passou a localização certinha. Música ambiente, conversamos um pouco e começamos o ensaio que durou mais um menos 1h30.

O fotógrafo Cesar Acosta tem 32 anos, é paranaense e já trabalhou de tudo que você imaginar: corretor de imóveis, supermercado, telemarketing, até chegar na publicidade e em seguida, na fotografia. Não tem formação, é autodidata. Na agência de publicidade em que trabalhou fez campanhas para grandes marcas, fotografou modelos e produtos.

O primeiro ensaio foi em agosto de 2014 e não parou mais. No início não cobrava, depois passou a cobrar e atualmente viaja o Brasil fazendo ensaios fotográficos, ministrando workshops de fotografia e edição de imagens. São mais de 150 mil seguidores nos perfis do Instagram (@cesaroliveiraacosta e @cesar.o.acosta), principais portfólios de Cesar.

Entrevista com o fotógrafo Cesar Acosta

  • Qual ensaio ou história mais te marcou?

Com o passar do tempo, comecei a ter contato com várias meninas e histórias. Hoje sou uma pessoa totalmente a favor da liberdade e igualdade. Eu era daqueles que não via problema em chamar uma menina de gostosa, mas daí comecei a ter contato com histórias pesadas como abusos sexuais. E isso não foi só de uma garota que ouvi, foram várias.

  • Sua musa inspiradora é a Leprince Bosco? (modelo e namorada do Cesar)

Ela é o amor da minha vida! Eu conheci a Leprince por causa da fotografia e sim, ela é minha musa <3 Ela estava em Florianópolis há um mês, uma foto dela caiu no meu feed, comecei a trocar ideia e acabamos nos conhecendo melhor. Ela sentiu ciúme do meu trabalho no início, mas hoje faz viagens comigo para ensaios, indica perfis de meninas para fotografar. Ela é perfeita pra mim.

Meu ensaio com Cesar Acosta
  • O que mais chama sua atenção na relação da mulher com o próprio corpo? A internet melhorou ou piorou esta visão?

Uma coisa muito legal com os ensaios é que eles ajudam a mulher a ter uma outra visão sobre si. Porque são muitos anos se vendo da mesma maneira, através de um espelho, de uma selfie. Depois você enjoa da sua imagem e começa a pegar motivos, detalhes seus que são características suas, que “fogem do padrão de beleza” e você começa a considerar defeito em você: “Não gosto de mim porque tenho gordurinha aqui, tenho um mamilo mais baixo que o outro”. Mas a partir do momento que eu te mostro (com as fotografias) de outro ponto de vista, você solta um “nossa como tô bonita”, mas é você como sempre foi, porém não está mais acostumada a se ver assim. Geralmente, a menina se acha estranha quando vê as fotos no ensaio ou rola excitação por se redescobrir bonita como sempre foi. É um misto de sensações para a mulher. A mídia, a sociedade, tudo foi feito para que a mulher se sinta para baixo.  A partir do momento em que a internet ajudou a ter essa liberdade maior, também aumentou o bullying. Nos últimos dois anos, meu trabalho tem mais aceitação, uma foto com seios amostra não é mais coisa vulgar, é algo sensual. Vai ter gente que vai criticar e gente que vai elogiar.

  • Como você lida com os comentários machistas e pejorativos nas fotos?

Eu me estressava muito. Os caras chegam e falam: “Meu Deus, que gostosa, meu Deus que gata, ai na minha cama…”, hoje eu sei o peso de “gostosa”, desta palavra para uma mulher.  É difícil dialogar. Hoje eu entendo algumas mulheres mais feministas. A partir do momento que o cara tá na zona de conforto, ele não vai querer sair dela para entender isso. Eu acabei absorvendo porque convivo e ouço histórias. Eu conheço o outro lado. Hoje em dia, eu bloqueio este tipo de comentário e a pessoa. Não me estresso mais. Não tenho como controlar a reação que as pessoas têm com o meu trabalho. A minha missão é dessexualizar o nu. A mídia nos ensinou que mulher pelada é sinônimo de excitação, homem andando pelado é coisa feia, homem pode andar sem camisa e mulher não. Pudores criados pela sociedade. Então, se eu puder evitar um comentário machista ou pejorativo, evito.

  • Como você vê o seu trabalho daqui 5 anos?

Acredito que a fotografia sensual veio para ficar. Eu gostaria de seguir fazendo exatamente o que tô fazendo, de uma maneira mais estruturada. Eu trabalho sozinho (fotografia e edição), gosto de levar a Le comigo, mas às vezes não dá. Queria uma casa mais decorada (ele a usa como locação para os seus ensaios). Quando viajo, já procuro um lugar para ficar hospedado e que dê para fazer ensaios. Quero daqui 5 anos o dobro de clientes (ensaios) e alunos (workshops).

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Meu ensaio com Cesar Acosta

Para quem tiver a fim de fazer um ensaio com o Cesar, ele estará com agenda em Brasília (17 de fevereiro). O ensaio é super descontraído, não é dentro de estúdio, locação bem coisa de filme, em casa ou apartamento.

O Cesar entrega 30 fotos editadas, já pré-selecionadas pela cliente. Quem tiver interesse em ensaio, workshops de fotografia ou edição pode entrar em contato com ele pelos perfis no Instagram (@cesaroliveiraacosta e @cesar.o.acosta) ou pelo email contato@cesaracosta.com.br e fazer sua reserva porque as vagas geralmente acabam rapidão.